Definindo Hansik

Continuação da matéria Modern Hansik and Its Global Ambitions.

Tradução* do artigo da Korea Magazine.

Enquanto a comida coreana percorre o mundo, os especialistas e entusiastas da Hansik enfrentam o problema de definir e explicar a comida coreana para as pessoas novas na área. No site, a Korean Food Foundation (KFF) define a cozinha coreana como uma “comida instrinsecamente coreana que pode ser comercializada”. Eles continuam dizendo: “A comida tradicional é… transmitida de geração em geração na Coreia. Os produtos agrícolas e marinhos da Coreia são os principais ingredientes da comida local, e dão sabores, cores e aromas únicos, o que só pode ser encontrado na comida coreana”. Essa definição é, de certa forma, um senso comum. A comida coreana é composta de ingredientes locais preparados com técnicas tradicionais da culinária local.

No entanto, Park Chan Il, escritor gastronômico e chef proprietário de um restaurante, argumenta que a definição da KFF realça um verdadeiro enigma na explicação da Hansik. Park diz que não existe um consenso definitivo entre os especialistas sobre o que realmente é Hansik. Será que essa definição deveria incluir apenas alimentos do período pós-independência? Ou deveria também considerar a cozinha da era Joseon? Será que deveria se estender para o que os coreanos comiam durante a Idade Média ou antes? Alguns dizem que a culinária da realeza coreana é o resumo da comida coreana tradicional. Park é contra essa opinião, dizendo que a documentação histórica da cozinha real é esparsa e vaga, na melhor das hipóteses. Também há um problema real ao se concentrar no que a aristocracia comeu e ignorar o que o resto da população comia no dia-a-dia.

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Park argumenta que, como o resto da Coreia do sul, a Hansik também se caracterizou por mudanças dinâmicas e influências externas, de dentro e fora da península. Budae jjigae, ou “ensopado do exército”, é um exemplo clássico. Park aponta que, embora a origem se encontre nas bases militares dos EUA estabelecidas na Coreia do Sul após a independência, ele se tornou um prato exclusivamente coreano, apreciado por muitas pessoas hoje em dia. Budae jjigae pode não se enquadrar na definição dada pela KFF para Hansik, mas seria errado dizer que não é comida coreana.

Dizer que Hansik é comida “tradicional” passada de geração em geração seria muito limitado, concorda Lee Jeong Hui, editora chefe da famosa revista gourmet La Main. Ela cita o Kimchi, conhecido em todo o mundo como um prato de assinatura coreana. O que não é tão conhecido é que o Kimchi tem apenas cem anos. A pimenta chilli que colore e tempera o processo de fermentação é um ingrediente do Novo Mundo, trazido para a Ásia pelos portugueses no século 16. Como Park, Lee afirma que a comida coreana tem uma história dinâmica, influenciada por ingredientes estrangeiros e métodos de culinária. “Assim como em todo lugar, a cozinha do nosso país está sempre mudando e se adaptando” acrescenta Lee. “A chave é como ela é amada pelas pessoas locais e como é absorvida pela cultura”. Um exemplo é o churrasco coreano, sugere Lee. As pessoas adoram churrasco e estão constantemente desenvolvendo novas formas de cozinhar e novos temperos, até mesmo popularizando as grelhas portáteis para que as pessoas possam aproveitar dentro de suas casas.

Revisão: Bárbara Barreto

Foto capa: dotwnews.com

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