Makgeolli 막걸리

Você já provou makgeolli?

Makgeolli é uma bebida alcoólica tradicional e nativa da Coreia, conhecida, erroneamente, como vinho de arroz coreano. É produzido através da fermentação de grãos de arroz. De cor láctea, branca e doce, possui cerca de 6,5% a 7% de álcool.

Além do álcool, a maior parte do Makgeolli é pura nutrição, sendo composto por 80% de água, 2% de proteína, 0,8% de carboidratos, 0,1% de gordura e 10% de fibra alimentar, juntamente com vitaminas B e C, lactobacilos vivos, 500 vezes mais do que o valor encontrado em iogurtes e fibra dietética. Isso ajuda na digestão, além de melhorar a imunidade e retardar o processo de envelhecimento. Alguns dizem que o makgeoli também ultiliza os 5 paladares: doce, azedo, salgado, amargo e o umami.

Originalmente era bastante popular entre os fazendeiros e agricultores, no entanto, recentemente começou a se tornar mais popular nas cidades, especialmente entre os jovens. Makgeolli é um excelente acompanhamento quando se come pajeon, também conhecido como panquecas coreanas.

Makgeolli é um vinho de arroz?

Ao contrário do que conhecemos, o makgeolli não é um vinho. O vinho, na maiora dos casos, é feito a partir do açúcar contido nas frutas. Da mesma forma que existe a diferença entre o brandy e o whiskey, onde o brandy é feito a partir de frutas e o whiskey a partir de grãos, chamar o makgeolli de vinho não seria correto.

Além de ser feito de grãos e ter um baixo teor alcoólico, também possui a vida útil curta, ao contrário dos vinhos. Você nunca vai ouvir alguém escolhendo uma garrafa de makgeolli pelo ano de safra. A bebida que mais se aproxima dele, até mesmo pelo contexto histórico, é a cerveja. Ambos eram fontes de energia e nutrientes apreciados, principalmente, pelos agricultores e fazendeiros. No entanto, a diferença entre eles é o arroz não precisar ser transformado em malte.

O makgeolli, portanto, pode ser considerado uma bebida única e tradicional da Coreia, da mesma forma que o sake hoje é reconhecido como único e tradicional do Japão.

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Porquê então chamar o makgeolli de vinho de arroz?

O makgeolli passou a ser vendido nos Estados Unidos  na década de 80, mas a indústria era muito limitada. Umas das estratégias de marketing para o crescimento do interesse, foi sediar um festival e dar como prêmio para quem oferecesse o melhor nome ocidentalizado para makgeolli voltado para o marketing na comunidade estrangeira. O vencedor escolhido pelo Ministério Coreano de Comida, Agricultura, Silvicultura e Pesca foi “Drunken rice”. Outros como ”Mackohol” e “Mackelixir” foram os vice campeões. No entanto, uma pesquisa feita em 11 países mostrou que “Vinho de arroz coreano” transmitia melhor a ideia do makgeolli. Parte do público apontou que “Drunken rice” não era o nome mais adequado, pois, dentro do contexto internacional, poderia refletir pobremente a cozinha coreana em geral.

Quando surgiu o makgeolli?

Não está claro quando os coreanos começaram a beber makgeolli, no entanto, de acordo com “Registros Poéticos de Imperadores e Reis”, escrito durante a Dinastia Goryeo (dC 918-1392), a bebida foi mencionada pela primeira vez na história do Reino Goguryeo durante o reinado de Rei Dongmyeong (aC 37 – aC 19).

Durante a Dinastia de Goryeo, o makgeolli era conhecido como Ihwaju (이화주), ou “flor de pera”, como era chamado pela aristocracia. Ele recebeu esse nome por ser produzido no período em que as flores de pera floresciam e, por isso, acreditam que a bebida era apreciada sazonalmente. Os camponeses chamavam o makgeolli de nongju (농주) ou “bebida dos camponeses”, onde nong (농) significa camponês/fazendeiro e ju (주), bebida.

No entanto, em 1905 o Japão forçou a Coreia a assinar o Tratado de Eulsa, transformando o país em um protetorado japonês. Em 1909, houve a lei de tributação do álcool declarada pelo governo japonês, dessa forma, o makgeolli e diversas outras bebidas alcoólicas, tornaram-se ilegais.

As razões que levaram a proibição do consumo do makgeolli e outras bebidas durante o período da dominação japonesa, eram com o intuito de controlar a população através da modificação de comportamento e principalmente para que o arroz pudesse ser exportado para ganho pessoal do poder colonial. Eles acreditavam que, possuindo o controle do suprimento de alimento e das formas de celebração das pessoas, a população coreana se submeteria mais facilmente as autoridades japonesas.

Gradualmente o makgeolli e mais de 600 outros tipos de bebidas foram desaparecendo.

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Makgeolli nos tempos atuais

Em 1945 a Coreia finalmente se libertou do Japão, e em 1952 aconteceu a guerra das Coreias. Entre 1965 e 1995, o número de produtores de arroz diminuiu 67,3 %, e logo, os grãos passaram a não ser o suficiente para o consumo, fazendo com que fosse estabelecido uma lei de proteção aos grãos.

Desde as mudanças radicais de regularização, as produções usando métodos tradicionais e artesanais estão, mais uma vez, em ascensão. Enquanto a cozinha coreana está crescendo dentro da sociedade estrangeira, a vida útil curta do makgeolli dificultava a exportação para o exterior. Com o crescimento da economia coreana, o makgeolli passou a ser vendido em diversos outros países. Além do sabor tradicional, é possível achar uma variedade de outros sabores e até mesmo fazer seu próprio makgeolli em casa.

Você já pensou quanta cultura tem em um copo de makgeolli?

“Beber um álcool é como provar a cultura de uma nação.

Redescobrir nosso álcool tradicional é restaurar nossa cultura.

De documentos históricos, nos mosteiros budistas nas montanhas, das lembranças das mulheres.

Os métodos tradicionais esquecidos de produzir álcool foram redescobertos.

Para trazer o sabor certo e aroma.

Os métodos foram testados e tentados novamente.

Por fim, o álcool tradicional coreano renasce.

A seleção de ingredientes e métodos de fermentação são numerosos.

Primavera, verão, outono, inverno, as mudanças das quatro estações são representadas.

Seus corações são colocados nele, o álcool do amor.

Um copo detém cinco mil anos de cultura.”

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Fontes: Ethnoscopes, Zenkimchi, Mmpkorea, Makgeollilab, Homebrewtalk, Moonlionbrew, Hamburo e Wikihow.

Foto Capa: Makgeollihan

Revisão: Bárbara Barreto

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