Alimentação Militar Coreana I

Parte I

Como a dedicação ao melhoramento das refeições militares refletem no crescimento das Forças armadas Sul Coreanas.

Essencial para a sobrevivência, a comida é fonte de energia e uma ponte para aproximar as pessoas ou fortalecer laços. Na guerra, a alimentação é um requisito importante que pode determinar a vitória ou a derrota. Com o desenvolvimento da alimentação é possível ver o aperfeiçoamento do serviço militar, assim como o poder de luta, difere dependendo da qualidade da comida.

Hoje em dia, durante os treinamentos, a comida servida, assim como as rações distribuídas em campo, retrata a preocupação do governo sul coreano com seus soldados. Ao contrário de 65 anos atrás, hoje eles procuram fornecer os nutrientes necessários através de refeições mais saborosas para que eles tenham mais energia ao longo do dia.

Suprimentos alimentícios durante as guerras

Os Três Reinos da Coreia dominaram a península coreana e partes da Manchúria no decorrer do primeiro século. Durante as guerras que ocorreram por volta do ano de 660 d.C., o exército do Reino de Silla já tinha o costume de carregar sempre hwangtae, uma espécie de peixe seco, dentro se suas vestimentas como comida emergencial. Existem registros semelhantes sobre os guerreiros nórdicos também utilizarem peixes secos como rações de campo durante as batalhas e expedições.

Antes que se fosse criado uma logística de suprimentos para as guerras, as tropas buscavam viver com o que encontravam ao longo do caminho. Geralmente faziam percursos pequenos entre “pontos de abastecimento”. A medida que faziam pausas nas cidades, saqueavam alimentos da população civil como forma de abastecimento. No entanto, as jornadas que os romanos faziam, exigiam mais tempo entre uma cidade e outra, por isso, utilizavam comboios que iam na frente para providenciar comida com antecedência.

Os cereais secos, ou moídos, constituíram a ração básica dos soldados ao longo da história. No entanto, até mesmo a melhor dieta da gestão era deficiente em alimentos frescos, de forma que, em tempos de escassez, os soldados, tal como os marinheiros de longo curso, estavam propensos a sucumbir às doenças da subnutrição. A debilidade provocava epidemias que, periodicamente, atacavam os exércitos reunidos para uma batalha ou durante operações prolongadas.

Na época das guerras napoleônicas, os soldados usavam garrafas de vidro para armazenar alimento. Essa tática ajudou Napoleão na luta contra vários exércitos europeus, pois podiam se alimentar entre uma batalha e outra. Porém, em uma expedição para Rússia, em 1812, suas garrafas racharam devido ao frio, fazendo com que perdessem as batalhas por conta da fome e das baixas temperaturas.

A dieta militar foi revolucionada na metade do século XIX com o aparecimento dos enlatados. Criada para atender a necessidade militar básica de conservar alimentos durante as batalhas. Ela foi uma melhoria das garrafas de Napoleão e, a principio, resolvia um dos problemas de armazenamento: a perecibilidade da comida. O processo de implementação de rações de campo enlatadas como suprimento do exército e da marinha começou em 1814. Em 1815 foram encontradas rações enlatadas com alguns dos soldados no campo de batalha de Waterloo, em 1815, cenário da derrota final de Napoleão. As latas evitavam que a comida estragasse, preservando-a em recipientes fechados e esterilizados por aquecimento. A carne enlatada só veio após 1815, assim como o abridor de latas. Durante a 1ª Guerra Mundial, 1914 até 1918, as rações chegavam em latas grandes que podiam alimentar até 25 soldados. Para patentes mais altas ou tropas de elite, haviam “rações de emergência” com itens “valiosos” como chocolate e bolo.

Na 2ª Guerra Mundial, entre 1939 até 1945, as rações passaram a ser designadas por letras. A ração Tipo D incluía chocolate, a Tipo K era uma versão de café da manhã, sem os pratos principais das rações Tipo C. A ração tipo C, são “pratos feitos”, pré-cozidos e individuais, mais comuns para os soldados. Elas eram usadas por militares americanos quando não haviam: alimentos frescos (ração Tipo A), alimentos embalados não preparados (ração Tipo B), quando não era possível montar “cozinhas de campo” ou não haviam rações emergenciais (Tipo K).

Durante a guerra do Vietnã, no começo da década de 60 até 1975, a nutrição passou a ser mais importante do que simplesmente saciar a fome. A umidade excessiva e a dificuldade de locomoção faziam com que os norte americanos adotassem os MKT (Mobile Kitchen Trailer) ou cozinhas portáteis, para tentar preservar o frescor das refeições.

O surgimento dos MRE’s (Meal Ready to Eat), refeições prontas para o consumo, ocorreu em 1983, alguns anos antes da Guerra do Golfo (1990 e 1991). Elas são individuais e separadas em pacotes selados hermeticamente.

Guerra da Coreia

O exército da Coreia foi criado logo após o governo coreano ser estabelecido em 1948, três anos após o término da Segunda Guerra Mundial e, com o início da Guerra Fria, houve a separação da Coreia entre Sul e Norte.

Em 1950, após diversas provocações de ambas as partes, a Coreia do Norte ultrapassou o paralelo 38 estabelecido pela ONU. As resistências das forças armadas do Sul, já enfraquecidas devido a colonização do Japão seguida da Segunda Guerra Mundial, não foram o suficiente. A ONU então, condenou a invasão e enviou, com a ajuda do Estados Unidos, reforços para ajudá-los na disputa. A Coreia do Sul não teve tempo para salvar suprimentos necessários e, em virtude da falta de logística, os suprimentos que foram salvos duravam de 3 a 4 dias, devido aos cortes de comunicação.

Naquela época não existiam as MRE’s e como o estado ainda não possuía uma reserva financeira, a cozinha improvisada pelo exército consistia em apenas uma tenda e algumas panelas para fazer arroz e sopa. Por vezes tentavam servir sopa de porco, no entanto, elas eram muito gordurosas e com pouca ou nenhuma carne. Ocasionalmente procuravam servir arroz com um acompanhamento ou dois, porém, o kimchi salgado, muitas vezes acabava sendo o único acompanhamento, uma vez que, durante a guerra, a ideia de ter acompanhamentos durante as refeições era inimaginável. Caso houvesse uma batalha, cozinhar também seria impossível. Assim, foram criados batalhões que ficariam na linha de frente enquanto um batalhão permaneceria atrás para cuidar da comida.

Devido a intensidade das batalhas, bolas de arroz eram feitas e enviadas para a linha de frente. Normalmente os soldados sul coreanos possuíam apenas uma refeição por dia, por esse motivo, essas bolas de arroz se tornaram uma salvação. Assim, surgiram os A-Frame Army ou KSC’s, batalhão designado no transporte civil de suprimento. Durante a Guerra da Coreia, os KSC’s transportavam munições, alimentos e suprimentos para a linha de frente. Viajavam a pé por terrenos inacessíveis por veículos, ajudaram a construir bunkers durante o dia e retiravam os mortos e feridos antes do anoitecer. O nome A-Frame Army foi dado pelos americanos devido ao formato das suas mochilas se parecer com a letra A.

Apesar da produção das rações A, B, C, D e K ter sido encerrada em 1945, as rações do tipo C foram utilizadas na Guerra da Coreia e mais tarde na Guerra do Vietnã, até 1958. A Guerra da Coreia se estendeu até 1953 sem vencedores, com o recuo do Norte e a criação da zona desmilitarizada.

Continua…

Revisão: Bárbara Barreto

Fonte: Arirang TV

Foto capa: mymodernmet.com

Deixe um comentário