Alimentação Militar Coreana II

Continuação da matéria Alimentação Militar Coreana I

Parte II

Como a dedicação ao desenvolvimento e melhoramento das refeições militares refletem no crescimento das Forças armadas Sul Coreanas.

Alimentação nos treinamentos

Comida é essencial para os militares. Não importa a situação em que se encontrem, o importante é comer. Comer sempre é uma ordem, caso contrário é impossível atender aos treinamentos. Há 30 anos atrás, ao contrário de hoje, o mais importante era se alimentar, não havia a preocupação com o gosto da comida.

As refeições dos soldados cresceram continuamente desde os períodos das guerras. Somente em 1976 passou a ser possível ter três acompanhamentos por refeição. Com a grande produção de arroz, as refeições dos militares sofreram transformações. O número de acompanhamentos aumentou e uma equipe da cozinha passou a ser responsável por manter a saúde dos jovens militares. Com o surgimento das travessas também foi possível ter três refeições por dia.

Há uma razão para que os militares foquem tanto na comida. Ela significa mais do que a sobrevivência nas forças armadas, ela é a base da força de combate. A comida militar é 100% de fonte de energia para os soldados. É por isso que as forças armadas vêm distribuindo comida desde 1985.

A partir da década de 90 surgiu a preocupação com a qualidade da alimentação dos soldados e hoje em dia existem certos cuidados com a comida além da preocupação com a higiene. Antes do produto ser encaminhado para as unidades é feito um teste chamado “Reagente de Nessler” para a detecção de amoníaco e amónio nas carnes. Quanto mais forte a cor da reação (amarelo castanho), maior é a concentração. Os frutos do mar passam por uma inspeção extra devido a radiação do Japão. Esses tipos de inspeções acontecem três vezes por semana.

Mesmo com os esforços das equipes responsáveis por cada etapa, existem soldados que optam por comidas industrializadas que vendem nos postos de trocas, como por exemplo os macarrões instantâneos. Eles explicam que a comida não é tão apetitosa. Infelizmente essa atitude acaba gerando desperdícios de recursos e investimentos, além de não suprir as necessidades nutricionais de cada um.

Há estudos que indicam uma queda na Coreia do consumo de arroz nos últimos anos. Em 2006 o consumo era maior que 800 g por pessoa. Essa quantidade foi diminuindo e, em 2012, o consumo passou a ser de 400 g por pessoa. No entanto, o consumo de carne e frutos do mar aumentou consideravelmente. Hoje em dia os soldados consomem arroz multigrãos (integral, negro e branco) por ser mais saudável que o arroz branco, entretanto, o governo está mais preocupado com os acompanhamentos. Isso fez com que a equipe de desenvolvimento começasse a planejar um cardápio variado, mudando o foco, da quantidade para a qualidade, utilizando diversos tipos de ingredientes. Um soldado, diferente de um civil, precisa em média de 3100 kcal por dia, por isso, são fornecidas refeições com a quantidade essencial de minerais e vitaminas, preservando a quantidade de nutriente e calorias necessárias.

Em 1996 foi implementado o sistema de funcionários civis para proporcionar inspeções sanitárias, conselhos, sugestões e divulgações nas redes sociais da situação da alimentação no serviço militar. Atualmente há cerca de 1700 civis trabalhando nas cozinhas. A maioria desses civis são mulheres e mães que se preocupam com a alimentação dos seus jovens nas forças armadas. Elas visitam de tempos em tempos os locais onde são preparadas as refeições e acompanham como é tratada a comida processada antes de serem realocadas paras as unidades e a higiene do local. Elas dão um toque materno às refeições, proporcionando mais sabor a comida.

MRE Moderna

A Guerra do Vietnã foi um fator importante para o desenvolvimento de MRE’s na Coreia. No inicio da década de 60, os soldados coreanos reclamavam das rações norte americanas (Tipo C), pois eram muito diferentes da alimentação que estavam acostumados. O presidente Rhee então solicitou ao governo do Estados Unidos que enviasse kimchi aos soldados coreanos. Infelizmente as latas acabavam enferrujando devido a acidez do kimchi. A partir daquele momento o governo coreano continuou a investir no desenvolvimento de rações que pudessem ser, em campo, mais saborosas e mais convenientes, no ponto de vista tático e ergonômico.

As rações precisam preencher uma serie de requisitos. Durante uma batalha na guerra do Vietnam, muitos saldados tiveram que ficar de tocaia em montanhas e não podiam acender fogueiras, pois corriam o risco de serem detectados. As rações do tipo MRE precisavam de água quente ou fogo para serem preparados ou consumidos. Após esse episódio, começaram a desenvolver um tipo de MRE que mais prático de preparar e ser consumido.

Hoje em dia eles contam com 11 tipos de MRE’s militares com até 36 variedades de pratos principais, além de existir outros tipos de MRE’s para o consumo civil.  Ao longo desses 15 anos de pesquisas, em 2009 começaram a parecer alguns tipos de MRE’s que usam processos de auto aquecimento utilizando o calor resultante do processo de separação da água, o que acabou sendo questionado, pois o vapor liberado contém oxigênio e hidrogênio, dois elementos inflamáveis.

Uma forma de acolhimento

Apesar de não haver 100% de satisfação com a comida militar, as forças armadas permanecem fazendo pesquisas, juntamente com a parceria civil, para melhorar o sabor e o fornecimento nutricional e energético.

Os jovens dedicam sua juventude pelo seu país e pelas suas famílias. Amparar os soldados com uma boa alimentação é uma obrigação e responsabilidade do país.

As refeições das forças armadas englobam a história do exército coreano e seu crescimento ao longo dos anos. A comida militar evolui no intuito de aumentar o poder de luta. Alimentação, roupa e abrigo é o mais básico que um soldado precisa para ter força.

Há também aspectos culturais. Os compartilhamentos das refeições ajudam a construir o espírito de camaradagem. Com os laços fortalecidos, eles ganham força para seguir em frente e consequentemente, melhoram a confiança em si mesmo.

Revisão: Bárbara Barreto

Fonte: Arirang TV

Foto capa: mymodernmet.com

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