Seolleongtang – Sopa de Ossos Bovinos

A popular sopa de ossos bovinos, Seolleongtang, não é somente para saciar a fome, mas também é famosa por recarregar as energias. A antiga política de promoção de carne bovina do governo deu para este prato um enorme incentivo já que ele é feito com ossos de boi, peito e outros cortes. Emergindo como uma das mais famosas especialidades de Seoul, o Seolleongtang deu origem a uma série de restaurantes de sopas de longa data no centro da capital.

Apesar da origem conhecida pela maioria não ser verídica, há varias teorias que tentam explicar a criação do Seolleongtang, sendo a mais popular a teoria de Seonnong.

Durante a Dinastia Joseon (1392 – 1910), a cerimonia era feita sempre no primeiro dia de cada ano lunar para que as pessoas pudessem rezar por uma colheita abundante, no altar Seonnongdan erguido no Bojewon, uma clínica do início da era Joseon, perto do que hoje é a Universidade Nacional de Educação de Seoul. Porcos e bois eram sacrificados no ritual e depois a carne era servida em ensopados. O ritual Seonnongje era tão importante na sociedade de agricultores da época, que o rei participava, atraindo uma enorme e faminta multidão. Grandes quantidades de arroz e sopa eram feitos em panelas. O ensopado de carne servido no ritual era chamado de Seonnongtang, e é dessa forma que acredita-se que o termo Seolleongtang tenha sido derivado.

Preparação meticulosa

Apesar de parecer uma simples refeição, o Seolleongtang requer muitas horas de preparação, pois a sopa precisa ferver algumas vezes ao longo do processo. Boa parte dos ingredientes inclui cabeça de boi, intestino, ossos, pés e cartilagem dos joelhos. Os ingredientes fervem durante um tempo, depois são lavados para a remoção do excesso de gordura e depois fervido novamente. A gordura, por ser menos densa que a água, pode ser facilmente retirada na superfície do caldo após algumas horas, e antes de ser acrescentado as especiarias para redução do cheiro que a gordura exala. É por isso que muitos restaurantes de Seolleongtang funcionam 24h. Uma vez cozido, o prato é fácil de servir, sendo essa uma das razões para que ele permaneça popular entre as pessoas comuns na moderna Coreia por tanto tempo.

Dada a popularidade como um prato que se originou na capital, o Governo Metropolitano de Seoul designou o Seolleongtang como a primeira comida a ser inclusa na lista Seoul Future Heritage. Vários restaurantes de Seolleongtang pela cidade estão sendo selecionados como Citizen Life Cultural Heritage como bem digno de preservação.

Acompanhamento inseparável

Seolleongtang pode ser um pouco gorduroso por causa das longas horas de fervura dos miúdos e ossos. Para reduzir o gosto da gordura, as pessoas salpicam cebolinha picada no caldo antes de comer. Alguns restaurantes também adicionam uma generosa porção de cebola na sopa antes de servir. Um acompanhamento inseparável para o Seolleongtang é o Kkakdugi (kimchi de nabo em cubos). Para neutralizar o gosto e o cheiro do caldo, temperos fortes são adicionados no processo de preparação. Dessa mesma forma que o seolleongtang pode ser servido com Kkakdugi como acompanhamento, o caldo o Kkakdugi tambem pode ser acrescentado no caldo. Além de reduzir o gosto forte do Seolleongtang, o Kkakdugi enriquece o caldo com um sabor único.

Somyeon (macarrão fino feito a partir da farinha de trigo) também vai bem com o Seolleongtang.

Depois da Guerra das Coreias, a nação teve uma abundância relativa de farinha de trigo estrangeira. O governo recomendou comer Bunsik (comida feita com farinha de trigo) devido a escassez de arroz, fazendo com que os restaurantes passassem a servir Gomtang (sopa de ossos bovinos) e Seolleongtang com a adição de macarrão de farinha de trigo (acima de 25%) para reduzir a demanda dos pratos feitos com arroz.

Seolleongtang reflete não apenas a cultura culinária da Coreia, mas também os altos e baixos da vida na península coreana. Assim, o prato possui um lugar especial no coração dos coreanos em todo lugar.

Este artigo foi publicado originalmente na Korea Magazine sob autoria de Yoon Sui, e pode ser conferido aqui. A tradução para português é de autoria de Camila Figueiredo e revisão de Bárbara Barreto.

Imagem destaque: emart